Versão Brasileira Herbert Richers
1923-2009
Deixar passar a data, beleza. Mas deixar passar o mês seria motivo de falência absoluta do Churrasco. No dia 5 de outubro de 1979, a BBC2 exibia o primeiro episódio de Monty Python’s Flying Circus. E o resto é conversa pra boi dormir. Até hoje, nada chegou ao nível daquilo, em termos de humor nonsense, corrosivo e anárquico. Assista ao maravilhoso “It’s the Arts!”, esquete do primeiro episódio, aí acima. Mas em seguida, esqueça-o. A realidade é triste. O que existe hoje é muito mais careta e sem-graça do que era numa rede aberta de televisão do final dos anos 60.
Say no more!

Ontem esperei até o final de “A Grande Família” (a única coisa digna da TV aberta brasileira) pra conferir o tal “Força Tarefa”, o “The Shield Brasileiro”. Até botava uma fé, já que a concepção e roteiro do seriado são de Fernando Bonassi e Marçal Aquino, ambos dos pouquissimos filmes brasileiros que me agradam, “Matadores” e “Ação Entre Amigos”.
Mas o programa seguiu a regra: elenco horrível, direção nula, diálogos extremamente forçados e fotografia nas coxas (tacaram uma contra-luz direto na cabeça do defunto-que-fala, mostrando todas as imperfeições do efeito de tiro na cabeça dele). Murilio Benicio até que está num bom piloto automático, mas todo o resto dos atores não convence, nem Milton Gonçalves. Mas o mais irritante são mesmo os diálogos. Porra, nem policial americano fala mais igual super herói. Junte isso a gírias malacas cariocas e temos um festival de vergonha alheia.
Tomara que The Shield, mesmo com essa dublagem grotesca, dê mais ibope à Band do que essa cópia ruim global.
P.S.: a abertura também é um primor, com Hans Donner tentando emular aberturas de séries moderninhas de ação… só que usando a fonte-padrão da Globo. FAIL.
Isso aí é a Ana Maria Braga, no Mais Você de hoje.

“Ô louco, como assim?”
Concordo. Mas convenhamos que a Madonna, mãe de todos, ainda se vestir assim dá exatamente na mesma. Muda só o photoshop, quando impresso, e a iluminação, quando ao vivo.
Uma é de 1949, a outra de 58. Depois dos 50, sinto muito, mas 9 aninhos não fazem a mínima diferença.
Lá no Papel Pop, de onde essas fotos saíram, o rapaz tira sarrinho da Ana Maria enquanto bate uma (ou bateria…) pra Madonna. E não é só ele.
Mais coerência, pessoal. Por favor.
Cat Shit One é o título japonês e Apocalypse Meow, o norte-americano do mangá de Motofumi Kobayashi em que essa lindeza foi baseada.
Por enquanto só rola esse teaser, já que o Studio Anima ainda busca financiamento pro projeto, mas o produto final será uma série em 12 episódios, de 23 minutos cada, com o mote animais fofinhos em combates violentos realistas. Foda.

Enquanto o mangá se passava na Guerra do Vietnã, a animação traz os personagens principais para o contexto atual. Packy, Botasky e Rats são membros de uma organização militar privada americana que cumprem missões em países diferentes a cada episódio.
Como você percebeu pelo vídeo, os personagens são animais diferentes de acordo com a nacionalidade. O grau de fofura também varia. A ideia é chamar a atenção às agruras da guerra com os bichinhos, já que imagens de humanos em pedaços não impressionam mais ninguém.
Na prática, é provável que Cat Shit One acabe banalizando também o guro fofo. Ou isso, ou esse vai ser o Maus dos tempos de Blackwater, com pitadas de videogame.
De qualquer maneira, coloco minhas fichas em aproximadamente 5 horas de entretenimento divertido.

O primo rico…
O último episódio da sexta (e penúltima) temporada de The Shield foram quase 60 minutos amarrado, amordaçado e jogado num rio cheio de piranhas. Roteiro absurdo, direção e atuações impressionantes e um clímax que explodiu em violência toda a tensão acumulada dos nove episódios anteriores. Já falei e repito: The Shield é a melhor série policial que já vi e, num panorama geral, só perde pra Sopranos como melhor “tv show” de todos os tempos.
Mas foi broxante terminar essa temporada que mais pareceu três pílulas de anfetamina engolidas com cachaça e, ao zapear a TV, dar de cara com “A Lei e o Crime”, o “The Shield brasileiro” da Record. O programa do bispo Macedo é o extremo oposto da série de Shawn Ryan: é lenta, arrastada, a direção é burocrática, a edição é amadora, a fotografia é horrível, e o elenco parece ter bombado no teste pra Malhação. Já é a terceira vez que a Record tenta se aventurar pelo gênero policial. Começou com “Turma do Gueto” que, apesar da tosqueira geral, pelo menos tinha o absurdo do protagonista ser o pagodeiro Netinho, que no seriado dava lição de moral nos marginais do “gueto” (quem chama favela de “gueto” no Brasil?). Anos depois, a emissora exibiu uma novela que também mostrava bastante pobre atirando e pobre baleado (não lembro do nome), para finalmente estreiar com pompa essa “Lei e o Crime”.
Eu realmente acredito que existam roteiristas, diretores e editores bons no Brasil que, dada a devida oportunidade, consigam fazer uma coisa decente (não precisa ser inovador ou genial: “decente” já está de bom tamanho), mas ou eles estão escondidos ou a Record que contrata sempre os piores. Vendo apenas um episódio de “Lei e o Crime” dá pra perceber muito claramente que aquelas pessoas não cresceram à base de Sam Peckinpah, Don Siegel e William Friedkin.
E aí, como diriam lá na minha terra, a coisa FODE NO CU.
“A trama de A Lei e o Crime é forte, vigorosa. Acredito que vai mexer com o público”
(Marcilio Moraes, criador da tranqueira)
…o primo pobre.
Legal é a publicidade australiana nos anos 70, com direito a cofrinho e tudo mais.
Detalhe pra cara de “mata o véio” do gordinho com cabelo de He-Man.

Lançamento legal mesmo no ano que vem é a série completa do Jaspion em DVD. 46 episódios. 2 caixas. Eu quero.
Ah, e pra quem esperou 20 anos e não aguenta esperar mais alguns meses, aqui tem a lista completa pra download, em wmvs podrões, mas dublados!