Os Piores do Ano
Por Rubens Ewald Filho
Mantive minha média de 800 filmes por ano, mas nem por isso saí satisfeito. Estou vendo o mercado de DVD morrer diante dos nossos olhos, sufocado pela pirataria incessante (a pior é que a simplesmente copia os filmes que estão nas locadoras), e agora vejo com dúvida a força que estão dando para o Blue Ray (eu não aderi, por enquanto espero a chegada da Alta Definição para se ver como realmente fica. O que pode demorar. Não duvido que a gente pule esse Blue Ray e já partamos para a nova tecnologia que surgirá em breve e dessa vez downloading em casa).
Neste clima de confusão, caos e agora crise generalizada (ainda que o governo tente minimizar tudo), o cinema esteve muito mal. E acho que se acabarem com a meia entrada vai ficar ainda pior. Não pensem que as pessoas continuarão indo ao cinema. Parece que ninguém tem memória. Vinte anos atrás, por aí, eu fui perseguido porque previ isso, quando acabaram com a meia. Os estudantes deixaram de ir ao cinema e eles tiveram que voltar com o benefício, Por que custa a cair a ficha de que cinema é muito caro para brasileiro, eu mesmo reclamo muito quando tenho que pagar, o que é mais freqüente que vocês pensam (só o Arteplex, Unibanco e Reserva Cultural me dão ingresso). Sai muito ir a cinema e o que precisamos não é de lugares marcados (o que é besteira, eu odeio porque nunca sei onde quero sentar, mas como não funciona mesmo, porque as salas estão invariavelmente vazias, é desperdício de tempo). E hoje em dia, até jovem prefere ficar em casa diante do computador, baixando series de tevê, jogando vídeo game, falando no orkut e fazendo amigos ou sexo. Acordem porque o cinema está em perigo.
Isso explica porque a febre atual de abrir salas preparadas para a Terceira Dimensão, que também como tudo na vida irá durar pouco. E finalmente em fevereiro chegará a São Paulo o Imax, que é a tela gigante que hoje está mantendo a indústria americana (ou seja, apresentar no cinema, sempre com preços mais salgados, filmes de maneira que você não pode ver em casa). E por que ninguém fala em salas populares, quando o cinema brasileiro seria o maior beneficiado.
Não gostei da média geral dos filmes lançados este ano. Ao fazer uma lista, foram muitos os indicados e deixando de lado os brasileiros (até agora por exemplo eu não vi Bezerra de Menezes, que foi bem mas dizem ser pavoroso). Eis uma lista não exaustiva de alguns piores de 2008
9) Speed Racer dos Irmãos Wachovski- Não achei tão ruim mas foi o maior fracasso do ano, a Warner perdeu milhões. O filme tinha seu charme, mas infelizmente o público o rejeitou inteiramente. Periga um dia virar cult.
8) Jumper, de Doug Liman - Que idéia boba, mais mal realizada, com o pior ator do ano Hayden Christensen. A pior atriz não estava nele, foi Jéssica Alba, bela mulata, mas o conjunto da obra é lamentável.
7) 10 000 A.C. , de Roland Emmerich - A volta do filme pré histórico, numa besteira sem limites e sem impacto.
6) – Missão Babilônia, de Matthieu Kassovitz. O diretor mais uma vez renega seu trabalho e vai para a imprensa acabar com o que o fizeram com o filme na montagem final. Será que não aprende a calar a boca?
5) Arquivo X Eu quero Acreditar – de Chris Carter - O Próprio criador da série consegue acabar com ela, fazendo um longa metragem completamente fora de tom, uma fita de terror de tortura, idiota e violenta, sem qualquer conspiração digna de nota.
4) Asterix nas Olimpíadas, de Thomas Langmann e Fréderic Forrestier – A série nunca foi grande coisa, mas chegou a seu ponto mais baixo, mais patético. Horrivelmente sem graça e patético.
3) A Casa das Coelhinhas (House Bunny) de Fred Wolf. Um panfleto convocando para a prostituição aberta ou disfarçada. Uma chanchada desavergonhada e sem graça, o que é ainda pior.
2) Violência Gratuita, de Michael Haneke - Refilmagem plano a plano, igualzinho a versão homônima alemã do mesmo diretor. Um filme asqueroso que faz exatamente o oposto do que se propõe, divulgando e promovendo a violência sem propósito.
1) Fim dos tempos de M. Night Shyamalan. O público que pediu, porque o espectador odeia este filme que até tem idéia interessante, sobre algo inesperado que para várias cidades americana. É uma espécie de revolta das plantas, ecológica. Mas tudo é muito mal feito e mal resolvido. O diretor de Sexto Sentido caminha para o esquecimento e desprezo.