Gênesis, capítulo 15, versículo 12.
Mestre Crumb.

Mutarelli parou com os antidepressivos, voltou a beber e voltou a blogar.
Agora só falta voltar aos quadrinhos.
Saudades do Cãozinho sem pernas. Ele era feliz.
Notícia FODA da semana.
A confirmação do Faith no More não foi notícia, todo mundo sabia que ia rolar.

Uma das melhores séries de histórias em quadrinhos dos últimos anos está perto de ganhar a tão sonhada versão “live”, e o responsável por isso será o canal dono das melhores séries de tv hoje. Não dá pra ser melhor.
The Walking Dead é publicada desde 2003. E já faz tempo que a idéia de uma série para a tv ronda comentários e discussões pela internet.
Neste mês de agosto, o gibi chega na edição de número 64. Três edições antes, na 61, Robert Kirkman, o criador da série, publicou um carta dizendo o quão estranho era chegar naquela edição. O motivo? Y: The Last Man, uma das HQ’s mais famosas do selo Vertigo (junto com Sandman e Preacher), terminou na edição 60 e Kirkman achava que não parecia certo ultrapassar em edições uma das melhores séries que ele já leu.

Daqui a três meses The Walking Dead vai ultrapassar Preacher em número de edições. Preacher chegou a ser negociada para a produção de uma série pelo canal HBO, mas não vingou. Acabou numa adaptação para o cinema, com o nome de Sam Mendes no projeto, mas que, fora uma notícia ou outra, parece andar devagar.
Fico imaginando o que Robert Kirkman vai escrever sobre isso nas próximas edições. Um projeto que precisou colocar “invasão alienígena” como uma das causas da epidemia de zumbis para que alguma editora comprasse a idéia. Causa desmentida quando Kirkman já podia peitar a editora e dizer “esquece isso”.

Na frente do projeto, Frank Darabont. O único filme mais terror que conheço dele é The Mist. O suficiente pra me deixar tranquilo e botar fé. Pessoas desesperadas numa situação extrema ele fez bem. E essa é a essência de The Walking Dead.
E pra fechar, produção do canal AMC. AMC é responsável por Breaking Bad e Mad Men. Precisa falar mais? Cruzar os dedos e esperar que a coisa realmente se realize.
Ressalvas:
1) Medo que, indo pra tv, comece a rolar umas adaptações como “zumbis modernos”. The Walking Dead é Romero puro, zumbis lentos e burros, motivo principal de várias sequências memoráveis na HQ.
2) Será que a editora HQM vai resolver esperar a série entrar no ar e, uns dois anos depois, começar a ser transmitida em algum canal a cabo no Brasil, pra aproveitar a onda e continuar lançando a série por aqui? ZZzzzZZzzzz…
Curtiu as capas? Todas aqui. Claro, com spoilers.
Saem as primeiras fotos do ator Josh Brolin no set encarnando o pistoleiro desfigurado. Vale lembrar que também estão no filme Megan Fox e suas coxas:

(… e o motora no retrovisor só secando…)
(via Omelete)
Além dessa, teremos um Bolinha magro (?!?!) e a participação da Pitty (?!?!?!) na edição de estréia.
Quem vai publicar? A Ediouro, pelo selo Pixel, aquele mesmo, que encheu a bola com as republicações dos primeiros volumes do Sandman, e depois muchou cancelando tudo que publicava da Vertigo.
Mais detalhes no Blog dos Quadrinhos, do UOL.
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Absolutamente fodido esse livro lançado pela Fantagraphics Books ano passado.
Tim Lane apresenta um estudo pessoal sobre o que ele chama de “The Great American Mythological Drama”, uma névoa de acontecimentos/pensamentos/sonhos/decepções na música/literatura/vida norte-americana.
Apesar de no início parecer apenas mais um exemplo de um bom quadrinho independente/alternativo americano criticando e ironizando sua sociedade, Lane leva a coisa pra um lado muito mais introspectivo e extremamante triste.
Personagens dirigindo carros por estradas sem idéia de um destino, ou indo resolver alguma mágoa do passado, ou indo ao encontro da mulher que achou que nunca mais o aceitaria, ou indo embora pra casa depois de um porre em algum bar podre da cidade vizinha. Tudo envolto numa puta desesperança.
Em apenas duas páginas de “Those Were Good Years”, a história do velho Phil no enterro de sua recém falecida esposa, faz parar pra tomar uma água.
Como mais um expositor de personagens norte-americanos desajustados e confusos, rola a ligação direta com as obras de Daniel Clowes e Charles Burns. Tim Lane assume a influência deles, mas destaca mais os quadrinhos de Will Eisner, a literatura de Hemingway e Kerouac, e a música norte-americana, incluindo o jazz e o álbum Nebraska, do Springsteen.
Pra matar a pau, o livro fecha com uma versão em quadrinhos da história de Stagger Lee, com Tim Lane pedindo para mais autores fazerem versões em quadrinhos, como todas as versões que existem na música, e assim alimentar o fantasma do “The Great American Mythological Drama”.
Ótima entrevista no The Comics Reporter. E um vídeo jóinha pra dar vontade de comprar no Flickr da Fantagraphics.