Dvd que saiu em 2003, contando a história do grandalhão Chester Arthur Burnett, mais conhecido como Howlin´Wolf, um dos maiores nomes do blues de todos os tempos. De sua infância difícil no Mississipi (tinha que ser) até o grande sucesso na gravadora Chess em Chicago nos anos 50 e 60, o documentário é composto por depoimentos de pessoas próximas a ele, familiares e músicos, e ótimas imagens históricas, como a única aparição num programa de televisão em 65, graças aos Rolling Stones, que diziam que sua influência sobre a banda foi tanta que eles começaram a tocar pra fazer um som como aquele, e de uma sessão de estúdio em 66, com a presença marota de Son House, acompanhando e atrapalhando a gravação bêbado de whisky.
E é de cortar o coração a história de sua relação com a mãe, uma mulher muito religiosa que nunca o aceitou, já que ele tocava a música do diabo!
Finalmente saiu a trilha sonora de O Golem segundo Black Francis, composta pro San Francisco International Film Festival de 2008.
Em forma de livro, a edição especial tem 2 CDs com a apresentação da trilha ao vivo no festival, 2 com a versão de estúdio e - coisa que alguém deveria ter feito há anos com O Mágico de Oz e Dark Side of The Moon - o filme com a nova trilha sobreposta, em DVD.
Fazendo as contas, então: 5 discos + livro + o fato da edição ser limitada em 500 cópias numeradas e autografadas = preço proibitivo de 90 dólares + frete + 60% de imposto pra receber no Brasil.
A boa notícia é que o próprio Black Francis subiu o filme inteiro pro YouTube, então dá pra curtir sem tomar facada. É só dar o play aí embaixo.
“Pelo menos seis pessoas morreram no país em brigas iniciadas quando alguém cantava a música.
(…)
Os bares de karaokê são muito populares nas Filipinas, e onde as pessoas expressam suas paixões livremente mas, segundo o “New York Times”, não é só lá que cantores desafinados causam revolta.
O jornal diz que nos últimos dois anos um homem foi morto a facadas na Malásia por monopolizar o microfone em um bar e na Tailândia um homem matou oito de seus vizinhos em um ataque de fúria depois que eles cantaram “Take me home, country roads”, de John Denver.
Nos Estados Unidos, uma mulher deu um soco em um homem em um bar em Seattle e criticou a versão dele do sucesso do Coldplay “Yellow”.”
Após 11 anos (e uma furada monstro em 2003, cancelando o show poucos dias antes de sua realização e deixando puta muita gente que morreu com ingresso na mão - eu, inclusive), a maior banda de rock pesado de todos os tempos (sim, é) voltou para dois shows em terras inundadas (o show em Porto Alegre não conta, porque não teve abertura de banda gaúcha então ninguém levou a sério). Dia 30 por aqui lotou absurdamente, disseram o Vini (que tava lá de novo comigo ontem) disse que deu quase 70 mil. Público igual final do time da casa, só que macho.
Ontem, última apresentação dos velhotes na cidade, estava bem mais vazio e, por isso mesmo, bem melhor. Sepultura abriu a noite com seu show competente, porém prejudicado pelo som baixo (lembrando que em 1999, última passagem do Metallica no país, o mesmo problema aconteceu e o “clubber” Igor Cavalera bradou aos quatro ventos que nunca mais iria tocar com o Metallica, “aqueles posers” - era a fase do Garage Inc.). Mesmo assim, os clássicos mineiros Troops of Doom, Refuse/Resist e Arise abriram perigosas rodas de pogo. Derrick May, que é muito mais gente boa que o Cavalera póstumo, dedicou Territory ao Metallica, pois todos sabemos que foi a primeira faixa do Ride the Lightning que criou todos os Sepulturas e Slayers da vida.
Intervalo de meia hora e as luzes se apagam. Surge nos telões laterais a clássica cena em que Tuco (Eli Wallach) encontra o cemitério em The Good, The Bad & The Ugly. “The Ecstasy of Gold” do Maestro Morricone surge imponente dos P.A.s. Sinal de que algo épico está pra vir. E vem: surge a banda arregaçando com Creeping Death, quase o dobro de velocidade da versão em estúdio. Pra surpresa geral, emendaram com Ride the Lightning, fazendo trilha-sonora aos relâmpagos que só ali começavam a diminuir. Fuel, única que ainda tocam do Re-Load (às vezes é dobradinha com Memory Remains), surge em meio a explosões pirotécnicas de fogo que chegavam a quase secar o corpo da chuva que castigou o estádio a tarde toda. É importante ressaltar que o Metallica, por mais burocrático que seja (James repetiu todas as falas da noite anterior, que já eram repetições de várias do DVD do show na Cidade do México), ainda tem a moral de mudar bastante seu setlist. Infelizmente, não ouvi Fade to Black (uma das minhas preferidas) e a clássica For Whom the Bell Tolls, que rolaram na noite anterior, mas não dá pra reclamar de Hit the Lights, faixa que abre o primeiro álbum da banda, e muito menos de Fight Fire With Fire (essa sim, surpresa total), que abriu a primeira roda de pogo ali perto de onde estava. Após várias músicas do último (e puta) disco, James Hetfield puxa uma emocionada e emocionante Nothing Else Matters, pra emendar com o coro vezes 50 mil em Enter Sandman (esse sim um verdadeiro hino de uma geração, foda-se Smells Like Teen Spirit).
Voltaram pra um bis mixuruca com Helpless (cover do Diamond Head - preferia ter ouvido Stone Cold Crazy do Queen, que rolou na noite anterior), Hit the Lights e Seek & Destroy, pra jogar a pá de terra por cima. Aí a banda começou a jogar literalmente uma chuva de palhetas e baquetas pra galera que se matou pra ficar ali na frente. O telão ao fundo do palco, megalomaníaco como um telão do U2, reproduzia em HD todas as rugas dos membros da banda, principalmente do frontman, arregaçado pelos anos de alcoolismo e substâncias ilícitas. James chama os fãs de “amigos”, e é curioso ver como o sujeito trocou todos os carinhosos “fuck you motherfuckers” de outrora por gentilezas como “how are you tonight, friends? Are you happy? We’re here to make you happier”. Metal auto-ajuda? Vindo de um quase cinquentão que topou a morte diversas vezes, nem soa tão estranho.
Por mais que o público indie critique a banda (pior ainda, os indies velhos fãs de Killers), é inegável a força e importância do Metallica. Sempre disse que eles são o U2 ou os Rolling Stones do rock pesado, e não há crítica nenhuma nisso. São bandas capazes de mudar a vida de multidões, verdadeiros messias pregando através do sulco do vinil ou dos arquivos .mp3. E eu acredito firmemente que quem tem uma adolescência regada a Metallica e Ramones terá muito mais as manhas de segurar a onda em momentos difíceis. E, felizmente, a primeira banda ainda está na ativa. E, vendo dessa forma, duzentos e cinquenta pila não é tão caro assim pra dar uma recarregada nas baterias, e melhor ainda no final de janeiro.
2010 começou agora pra mim.
You rise, you fall, you’re down and you rise again.
Mesmo bebaço numa madrugada de domingo, consegui registrar o apavoro sonoro do que esse camarada estava fazendo. E a memória da música superou o porre.
A nova canção liberada pra download na 1ª edição da newsletter do BlackFrancis.net resume de um jeito tão bom toda a discografia pós-Pixies do cara que quase daria pra chamar o negócio de Black Francis and the Catholics. E isso ao mesmo tempo em que traz elementos desconexos do que ele tinha feito até agora. Se esses backing vocals em falsete e tecladinho churrasqueiro forem algum indício do que vem por aí no Non Stop Erotik… que venha logo.
Fazia tempo que eu não ouvia tanto uma música no repeat.