Versão Brasileira Herbert Richers
1923-2009
No Festival de Veneza:
Prêmio Jaeger-Lecoultre: SYLVESTER STALLONE, por dar vida a personagens que “exploraram a luz e a escuridão do sonho americano em interpretações com precisão, criando uma galeria de retratos vivos que também estão entre os mais lúcidos ícones do cinema contemporâneo americano.”
(via Viver e Morrer no Cinema)




Pensa numa ideia ruim. Difícil ela ultrapassar um remake de Plan 9 from Outer Space, clássico de Ed Wood celebrado por ser o pior filme de todos os tempos, numa escala de inferioridade criativa.
Agora pensa numa ideia ruim dessas, mas executada por quem curte, em caráter de homenagem, sem recorrer a piadas sem graça ou a cópias exatas do original.
Do jeito que deve ser.
Esse teaser surpreende porque remete à ideia de um remake do filme que Wood queria fazer.
Fora que, desafiando a regra de ouro dos remakes, vai ser difícil o novo Plan 9 estragar o anterior.
(via Quiet Earth)

De acordo com o blog Goma de Mascar, o pôster “foi uma photoshopagem tosca feita pelo pessoal ligado ao filme pra gerar burburinho em torno dele no Festival de Toronto.”
Lá também fala mais sobre o bizarro enredo do filme.
Já tinha colocado Pôster do dia hoje, mas não tinha como deixar essa belezura passar em branco.
Numa terça-feira pós feriado, de tempestade e pane nos telefones, dois pôsteres de um filme para relaxamento:


Mais uma vez:

No vídeo no site da Folha, imagens do caderninho de criança onde ele começou a anotar os filmes assistidos, e declarações como: “Nunca tive um amigo, nunca joguei futebol… nada…”
Ainda acaba citando 2001 e o Anticristo. Dá-lhe Rubens!!

Não idolatro os filmes de Lars Von Trier, mas também não os odeio. Exceto pelos insuportáveis “Dançando no Escuro” e “O Grande Chefe”, nada dele chegou a me desagradar completamente. E “Ondas do Destino” eu gostei bastante, quando vi há uns bons 10 anos. Mas a impressão que sempre fica após ver seus filmes, bons ou ruins, é que o diretor dinamarquês tem uma imaginação demente, grandes idéias, mas que no final acabam desperdiçadas numa execução tosca. No começo da era digital no cinema, a “regra” era a câmera na mão (com Mal de Parkinson) e o zoom desenfreado. Precisou de gente como Michael Mann pra falar “ei, não é assim também”. Mas Von Trier continua insistindo nessa “estética”, como se ainda estivesse preso naquela baboseira de Dogma 95. Assim, a primeira metade de “Anticristo” trava totalmente porque, como disse o churrasqueiro Daniel, o diretor tem uma necessidade infantil de ficar o tempo todo dizendo “ei, estou aqui! É o diretor!”. E dá-lhe zooms de festa de aniversário, cortes abruptos, e adeus qualquer chance de se criar clima e tensão. Pois se trata de um filme de terror, certo?
Certo. E é quando o filme se assume como um, no final da primeira metade, que vem à tona essa virtude do diretor: a imaginação demente e a capacidade de criar cenas perturbadoras. Elas vêm da natureza, o grande vilão do filme. Na forma de um veado fêmea com um filhote morto saindo de seu ventre, de um filhote de passarinho ainda vivo devorado por formigas ou da tão comentada raposa falante. Nas imagens de horror, o fotógrafo do filme mostra a que veio e capricha nos planos e na iluminação estilizada. Temos aí uma floresta quase tão medonha à de Evil Dead. E sem ao menos precisar de árvores animadas. A sensação de Mal presente em todos os lugares é desconcertante, mesmo - como já dito antes - que às vezes prejudicada pela mania de atenção do diretor.
Violento e gráfico como pouca coisa do cinema atual, o filme é capaz de chocar o público menos acostumado a podreiras visuais. Digamos que não é comum uma vagina mutilada em close ou um pênis ejaculando sangue na grande tela do Shopping Bristol (e podem me chamar de doente, mas só isso já vale o ingresso). Na sala do HSBC Bellas Artes, “reduto cinéfilo” da Consolação, um casal saiu da sessão, perto do final. E uma mulher na fila de trás deu um grito quase de agonia, numa cena em particular. Não entendo essa tara que muitas mulheres têm pelos filmes do diretor, um dos sujeitos mais assumidamente misóginos em atividade no cinema.
Anticristo, apesar de tantos defeitos, vale muito como experiência visual e sensorial (principalmente numa sala que honre seu fantástico trabalho de som). Impossível sair indiferente da sessão, o que comprovaram as vaias e aplausos ao mesmo tempo em Cannes. Agora só falta Lars Von Trier parar de fingir que não sabe filmar.
Torrent do workprint.

Drag me to Hell pode não ser o retorno de Sam Raimi ao cinema de horror que seus fãs hardcore aguardam há anos, mas é um belíssimo filme. Divertido, empolgante e principalmente classudo. Classudo naquela linhagem John Landis e Joe Dante da coisa, gente que não cresceu na era do videoclipe e, quando resolve filmar bem (fato raro pra eles ultimamente, sejamos sinceros), ainda fazem um bom estrago.
Drag me to Hell é puro conto de vingança a la Tales from the Crypt. Principalmente por seu final. Pode não ter o caos absoluto da trilogia Evil Dead, mas mantém acesa aquela chama inicial do Raimi dos primeiros filmes, um jovem nerd que só queria saber de fazer as pessoas se ultrajarem e ficar com os nervos à flor da pele. A primeira vez que vi The Evil Dead, aos 9 anos (escondido, é claro), tive pesadelos que duraram - sem brincadeira - quase um ano. Pesadelos alimentados pelas diversas vezes que o revia com os colegas. Ontem no cinema, uns 10% daquele sentimento voltou na sequência da invocação em Drag me to Hell, com direito a objetos voando, olhos brancos, levitação involuntária e vozes multiplicadas. Se tirassem a protagonista e o cenário da mansão e botassem no lugar Bruce Campbell e a cabana, poderia até passar por um Evil Dead IV (que pelo jeito, nunca vai sair - ainda mais agora que Raimi está escalado para dirigir a versão cinematográfica de Warcraft. Que sono).
Só é uma pena que, por uma falha imperdoável de decupagem na cena do carro/envelope, o final tenha se antecipado 15 minutos antes. Não fosse isso e umas duas cenas de cgi absolutamente desnecessárias (ainda mais tendo Howard Berger como responsável pelos efeitos de maquiagem e puppeteer da terrível criatura que se espalha através de sombras), seria perfeito. Mas temos aí o filme de terror de 2009, e um filme realmente feito pelo Sam Raimi, por mais que o primeiro Spider Man seja legal.
Ah, e o Oldsmobile 1973, o carro que faz ponta nos filmes do diretor desde 1983, também bate cartão aqui, como a condução da terrível cigana. 
Raimi no set, de terno e gravata - eterna homenagem a Hitchcock.
Edit: Sobre a tara de Raimi pela E.C. Comics: http://buchinsky.wordpress.com/2009/08/24/drag-me-to-comics/
ANGST. Filme austríaco de 1983, dirigido por Gerald Kargl.

Protagonista, recém libertado de uma pena de 10 anos, coloca o pé em liberdade na rua já pensando em colocar em prática os planos que ficou preparando na prisão, e vai atrás de suas novas vítimas.
Em 1h15min de filme, acompanhamos, quase em tempo real, esse primeiro dia de liberdade do personagem. Durante suas ações, sua voz em narração nos conta seus motivos, seus traumas de infância, sua nostalgia por barbáries anteriores. Ao encontrar uma moça parecida com a primeira namorada, ele a relembra (“A real whore”) e conta como foi bom transformá-la em sua escrava sexual.

Esqueça calculismos, brilhantismos, criatividade ou carisma do personagem. Aqui o lance é serial killer ejaculação precoce. O assassino é levado completamente pela sua excitação no momento, e o arrependimento após executar suas idéias com muita pressa, sem aproveitar.

Baseado numa história real, o caso de Werner Kniesek é conhecido na Áustria como Ed Gein nos Estados Unidos. E a verdadeira história ainda guarda alguns detalhes mais sórdidos que o filme.
“I just love it when women shiver in deadly fear because of me. It is like an addiction, which will never stop”. Declaração de Kniesek para o júri em seu julgamento.

Fotografia e trilha, de foder.
A primeira, de Zbigniew Rybczyński. Diretor de diversos videoclipes (“Imagine” do Lennon entre eles), teria chamado muito mais atenção por ANGST se o filme não tivesse sido totalmente boicotado na época. São incríveis as inovações que ele usa em um filme do começo da década de 80. Escola para Gaspar Noé. É daqui que o diretor tirou a idéia para o cinema que o consagrou, tanto na narrativa, quanto nas câmeras absurdas.
E trilha, de Klaus Schulze (Tangerine Dream). Pesando a mão nos sintetizadores, músicas claustrofóbicas pra deixar tudo mais desgraçado. E quando resolve colocar umas batidas:
Esse é o único filme do diretor Gerald Kargl. O cara perdeu tanta grana pra fazer e foi tão mal recebido que até hoje tá se recuperando. Numa entrevista feita em 2003, declara que durante todos esses anos ficou fazendo comerciais e filmes educacionais pra se pagar, e que tá com um projeto novo, “but this will be very different to ANGST”.

Depois de assistir, só não dá pra pensar que Gaspar Noé é picareta porque ele mesmo diz em entrevistas que o filme é a maior influência em seu cinema. E que ANGST precisa ser redescoberto.
http://www.mininova.org/tor/1405501
E legendas.tv (em inglês).
PS.: só pra não estragar a brincadeira, tomem cuidado com um vídeo no youtube (Angst 1983 Music Video, 3min54seg), onde o legalzão fez uma edição do filme inteiro com a música de abertura do Extermínio. De foder.